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sábado, 28 de dezembro de 2013
Referência: Zbigniew Rybczynski
Conheci esse mestre da manipulação da imagem nas aulas na Escola de Audiovisual, aqui em Fortaleza, e de cara já me impressionei muito com seus trabalhos. Zbig - para os íntimos - é um realizador polonês que experimenta pra valer, e embora eu reconheça que conheço quase que apenas o seu trabalho dos anos 70 aos 90, o que eu vi me marca um bocado, tamanho o leque de possibilidades que ele explora, e os resultados que conseguiu em cada trabalho. A animação em si, isto é, o trabalho com imagens quadro a quadro é "apenas" uma das vertentes que ele trabalha, mesclando ainda live-action, computação gráfica, composição digital desde tempos que nem se falava muito sobre isso. Abaixo, uma pequena amostra de alguns dos principais trabalho do homem:
(ordem dos trabalhos:)
- KWADRAT (Square) - 35mm short film, 4:40, PWSTiF Lodz, Poland
- TAKE FIVE - 35mm short film, 3:36, PWSTiF Lodz, Poland
- NOWA KSIAZKA (New Book) - 35mm short film, 10:26, SMFF Se-Ma-For Lodz, Poland
- ZUPA (Soup) - 35mm short film, 8:22, SMFF Se-Ma-For Lodz, Poland
- MEDIA - 35mm short film, 1:36, SMFF Se-Ma-For Lodz, Poland
- OJ! NIE MOGE SIE ZATRZYMACI! (Oh, I Can't Stop!) - 35mm short film, 10:07,
SMFF Se-Ma-For Lodz, Poland
- MEIN FENSTER (My Window) - 35mm short film, 2:26, Vienna
- SWIETO (Holiday) - 35mm short film, 9:38, SMFF Se-Ma-For Lodz, Poland
- TANGO - 35mm short film, 8:14, SMFF Se-Ma-For Lodz, Poland
Alguns dos meus favoritos:
Tango é uma colagem incrível de pequenos 'movimentos' - na falta de termo melhor -, compostos numa única cena. A complexidade e elaboração necessárias para se fazer algo do tipo numa era pré-composição digital é algo que quase me dá mal estar só de se pensar. Não sei exatamente como o filho da mãe fez, mas certamente foi algo próximo à colagem quase frame a frame de cada personagem, em sincronia perfeita com todo o restante. É o tipo de animação, ao meu humilde ver, ideal: tão interessante de se ver que sempre se nota algo novo; um filme que nunca se repete, sempre surpreende.
Oh, I Can't Stop! é um pixilation e time lapse ao contrário: ao invés das pessoas se mexerem em relação à câmera - que normalmente é parada nas técnicas que citei -, é a câmera que se mexe, simulando algo como um monstro que passa por uma cidade da Polônia e consome tudo em seu caminho. Assim como o Tango, irresistível de se assistir, hipnotizante.
Filmes como esses (de realizadores que realmente acreditam no que fazem) nos trazem, acredito, algo que bom quando assistimos, quase - aliás, quase não, com certeza - nos colocando em contato direto com suas mentes. Sempre me sinto dialogando com eles, como que trocando ideias, sobretudo ao decorrer dos anos, conforme cresço e - espero eu - me desenvolvo e também o meu trabalho, e os filmes parecem reforçar ideias, falar coisas novas; ao mesmo tempo que se mantém clássicos pessoais, se renovam. E vamos em frente.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Oficina de Animação - Exercício de rotoscopia
Exercício de rotoscopia realizado na oficina de cinema de animação do projeto Educando o Olhar. Postagem completa sobre a oficina, com o filme final feito pelos alunos e bastidores neste link.
O mais interessante é que estes exercícios foram feitos para melhor entendimento da técnica pelo alunos e foi isso. Apareceram brevemente no vídeo de bastidores, mas após fazermos o filme final dos alunos com o material feito "pra valer", estes exercícios acabaram meio que "esquecidos"... até que resolvi pega-los e montar esse videozinho. Eram só os planos de cada um, um atrás do outro. Tá bom, pensei, vou colocar umas cartelas. Hummm, talvez seja melhor colocar os créditos também, e o fiz. Ah, por que não colocar uma trilha simples (que eu tinha feito originalmente pra outro projeto, mas que tinha mudado e também ficou esquecida) pra ficar mais bacana, pensei, pra fechar? E aí está.
O mais interessante é que estes exercícios foram feitos para melhor entendimento da técnica pelo alunos e foi isso. Apareceram brevemente no vídeo de bastidores, mas após fazermos o filme final dos alunos com o material feito "pra valer", estes exercícios acabaram meio que "esquecidos"... até que resolvi pega-los e montar esse videozinho. Eram só os planos de cada um, um atrás do outro. Tá bom, pensei, vou colocar umas cartelas. Hummm, talvez seja melhor colocar os créditos também, e o fiz. Ah, por que não colocar uma trilha simples (que eu tinha feito originalmente pra outro projeto, mas que tinha mudado e também ficou esquecida) pra ficar mais bacana, pensei, pra fechar? E aí está.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Entrevista - TV Metrópole
Entrevista comigo e com o realizador e professor David Soares, sobre o projeto Educando o Olhar, para a TV Metrópole.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Referência - Joseph Pierce
Um dos filmes mais loucos que vi nos últimos tempos, The Pub, acima, é do animador inglês Joseph Pierce. Confesso que nada sei ainda sobre ele, além do incrível trabalho que tem, nessa mistura de rotoscopia e animação livre 2D louquíssima, mas já se torna uma referência. Conseguir retratar personalidade, estados de espíritos, fazer crítica social como neste trabalho, neste estilo tão forte e agressivo até, é incrível. Vi este trabalho em alguns festivais ano passado, e é difícil esquecer. Ele foi um dos premiados também no ANIMAGE 2012, e não é pra menos. Este com certeza deve ser um destes caras, animadores malucos como a gente, que encontramos por aí e com certeza dá pra trocar umas ideias bem legais.
Ele disponibilizou o The Pub só há três dias atrás, e já não era sem tempo. Cada dia mais vejo mais gente de peso como ele colocando seus trabalhos online e dividindo com um público que não se compara a qualquer festival. Na verdade, vejo mais e mais que não vale ficar "escondendo" os trabalhos, não postando nada. Afinal, temos medo de quê? Tantos são os trabalhos - muitos deles obras primas - que chegam até nós assim, por que não compartilhar de volta com o resto do mundo um pouco do que recebemos? Ah, pra ser bem sincero, detesto esse negócio de ineditismo, de não colocar as coisas na net com "medo" de não entrar nos festivais, de não sei o que mais. Respeito os muitos colegas que assim preferem, mas, pra mim, sei que o meu caminho é esse: compartilhar trabalhos e dividir o pouco que sei com o máximo de pessoas possível, seja como for. É a sensação mais gratificante que se pode ter, acho eu. Melhor que prêmio, melhor que tapinha na costas, melhor que sorrisinho amarelo, é a sensação de que estamos fazendo algo de bom pra alguém, que o nosso trabalho pode ajudar a construir algo, que pode inspirar alguém a produzir, a criar, a fazer algo bacana. Esse é o melhor pagamento que posso imaginar receber.
O que era pra ser uma postagem sobre uma referência acabou virando (mais um) quase desabafo. Ah, paciência. Deu pra pegar o espírito, né? :)
Voltando ao Joseph Pierce, no canal dele no Vimeo tem mais coisas incríveis como os Stand Up e A Family Portrait:
E aqui neste link uma entrevista com o Joseph, que ainda não li também, mas que o farei já já.
E é isso, vamos em frente! ;)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Referência: Sledgehammer
Não canso de assistir este videoclip do Peter Gabriel. Além da música ser incrível, o videoclip é inteiramente animado, e não apenas isso, mas conta com uma animação de primeiríssima linha, stop motion e pixilation conduzidos de forma genial.
Esta versão, além de restaurada, conta com os créditos completos de produção, algo raríssimo para este tipo de trabalho, e nele podemos ver nomes como Peter Lord e Nick Park, da Aardman, e dos Brothers Quay, que trabalharam como animadores. Fico imaginando esses caras inventando mil coisas na hora, tendo ideias e fazendo a coisa acontecer de forma incrível, tudo em cima do pobre Peter Gabriel, que reza a lenda é um cara super aberto a essas experimentações pros seus trabalhos.
Sou super suspeito pra falar das técnicas deste filme, pois o considero umas das minhas maiores referências. Boa parte da animação foi feita da forma table top, isto é, na truca - a câmera fica alta, apontada para baixo e na superfície plana da "mesa", onde a câmera está apontada, a ação acontece. Animaram de tudo: brinquedos, desenhos à giz, massa de modelar como tinta, objetos simples, frutas, verduras, peixes, frangos, cadeiras, escadas, mesas, televisores, além do próprio Peter Gabriel e mais dezenas de figurantes nessa salada animada incrível. Pra mim, essa é a essência da animação: o controle do caos. Ao mesmo tempo que mostramos a essência da vida, essa multiplicidade, a 'organizamos' e transformamos em arte, sublimamos, processamos e transformamos em algo belo, em algo interessante de se ver e que, de alguma forma, modifica algo que temos dentro, nos tornando melhores.
Detesto dar essa de saudosista mas, ainda mais do que ficar triste por não se fazerem mais materiais assim, me pergunto; porque não?? Essa ousadia, inventividade artística e qualidade técnica incrível, e ainda por cima feita há quase trinta anos atrás, numa era pré-digital, é muitíssimo melhor do que a maioria das coisas feitas hoje. Aliás, não só é, como continua. Hoje temos uma infinidade de recursos e possibilidades, mas praticamente ninguém os explora como poderia. Fica a minha empolgação ao ver e rever e rever e rever este material (que já vi seguramente centenas de vezes), a chateação por não termos mais quase nada nesse nível e a vontade de fazer meus trabalhos melhores e melhores com toda essa inspiração. Vamos em frente!
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sábado, 20 de outubro de 2012
Balada do Guarda-Roupa na Mostra Outros Cinemas
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Menção na Filme Cultura!
Tive o prazer de ter sido mencionado na revista Filme Cultura na edição sobre Vanguarda e Inovação, editada e lançada ano passado. Por diversas razões (o clássico "depois eu posto"), acabei demorando para colocar aqui no blog à respeito, mas agora está feito :)
A matéria, que ficou muuuito bacana, sobre o cinema de animação experimental, foi escrita por Marcos Magalhães, que além de animador, diretor do Anima Mundi e pesquisador da área, considero como um dos principais pilares da história do cinema de animação brasileiro. Quando encontrei com Marcos após a publicação da matéria (belamente escrita por sinal), o parabenizei pelo texto e o agradeci pela citação, o que ele respondeu. "Bom, eles me pediram nomes; então, eu citei nomes!". Ter sido citado numa matéria escrita por ele (e ao lado de grandes talentos da animação brasileira e internacional de ontem e de hoje que foram mencionados) é uma honra enorme. Nos ver como parte de um contexto, de um cenário, de uma geração de artistas, saber que nosso trabalho faz parte de algo maior, é no fim uma das coisas mais bacanas, acredito eu, que podem nos acontecer, ou melhor ainda, que podemos nos dar conta. É uma daquelas coisas que só confirmam pra gente que estamos no caminho certo.
Uma das coisas mais legais da Filme Cultura é que todas as suas edições podem ser baixadas gratuitamente no site da revista. Na imagens abaixo, baixei a edição e tranformei as páginas da matéria que saí em imagens, para postar aqui no blog. Para quem se interessar, aqui tem o link pra baixar a edição integral em formato PDF.
Não vou adiantar mais detalhes da matéria para quem quiser lê-la na íntegra, mas quero deixar claro o quanto gostei particularmente do final, onde Marcos delicadamente - embora sem perder a força - dá uma bom puxão de orelha naqueles que acham que o "mercado" de séries de animação e longas é o melhor caminho hoje para o cinema de animação brasileiro. Numa próxima postagem falo um pouco mais sobre essa que é uma inquietação minha também. Vamos em frente ;)
domingo, 19 de agosto de 2012
Saudade
Saudade from Diego Akel on Vimeo.
O curta Saudade foi o resultado da disciplina de Cinema de Animação, que ministrei na última edição do Projeto Educando o Olhar, um curso completo de audiovisual ministrado em escolas da rede pública de Fortaleza. A partir de uma visão da animação como algo mais livre, utilizei a técnica da rotoscopia, em que imagens reais filmadas são transformadas em frames separados e manipulados um a um. O material então é refotografado e vemos o movimento real, adicionado da manipulação manual. Foi um trabalho muito gratificante de fazer, e o resultado foi além das nossas expectativas. Novamente, Sabina Colares - a coordenadora e idealizadora do projeto - produziu, juntamente com Carolinne Vieira e comigo, e tive a assistência valorosa de Josimário Façanha, tanto durante as aulas como na finalização do material.
No vídeo dos bastidores, belamente produzido pela Comunik Filmes, podemos ter uma noção do processo:
As aulas foram muito divertidas, os alunos se empolgaram muito assistindo aos trabalhos de Norman McLaren, Oskar Fischinger e outros mestres da animação experimental. Assistimos ainda diversos trabalhos envolvendo a técnica da rotoscopia e da manipulação de imagens reais em animação. Reconheço que as oficinas que ministro sempre refletem um pouco as minhas inquiatações de cada momento. Quando a Sabina me perguntou sobre a possibilidade de trabalhar esta técnica com os alunos eu me empolguei um bocado, pois realizar um filme assim era - aliás, ainda é - uma das minhas maiores vontades. Poder compartilhar com os alunos essa possibilidade, dividir com eles a feitura de um filme assim seria muito bacana.
Quando assistiamos à referências, durante as aulas, sempre que acabava um filme que eles gostavam (e gostaram de todos), eu provocava perguntando "Qual a história deste filme? Quais os personagens? Sobre o que ele fala?". A impossibilidade de responder estas questões mostra que os trabalhos sem narrativa definida e personagens podem sim, ao contrário do que muitos imaginam, ser interessantes, ricos e empolgantes. Além do mais, era o primeiro contato de jovens (que tinham entre 16 e 18 anos) com um cinema mais abstrato, e não precisaram intelectualizar exageradamente o processo de entedimento - coisa necessária para muita gente que conheço, por sinal. O legal é exatamente ver como eles se identificam e podem usar estes trabalhos como ponto de partida para construir as suas próprias ideias.
Para realizar o filme, como foi mostrado nos bastidores, basicamente, cada aluno gravou cinco segundos em vídeo de algo que, para ele, remetesse à saudade. Alguns formaram grupos, mas todos escolheram o que filmar. Não havia roteiro. Alguns filmaram sem imaginar o que fazer depois, outros já tinham uma ideia precisa de como iriam interferir nas imagens. Após a filmagem, separamos os vídeos de cada aluno. Uma vez decompostos em frames (12 por segundo) e impressos (cabiam seis por página A4), cada aluno recebia os seus cinco segundos - no caso, sessenta frames - e utilizaram canetas hidrográficas, lápis de cor, giz de cera e sobretudo giz pastel para interferir nas cenas. O mais legal de usar o giz pastel é que ele permite que utilizemos cores claras para cobrir massas escuras da imagem original, isolando trechos ou repintando de uma forma bem particular, que associado ao movimento real da imagem dá esse "estranhamento" que é próprio de filmes em rotoscopia. Fizemos um teste onde pegamos uma cena de um aluno (um salto de uma escada) para que todos animassem. Isto tanto foi ótimo para que entendessem o princípio como para acompanharem o processo de captura - montamos uma truca na sala de aula e fotografamos este teste ao vivo, conforme terminavam. Após isso, partimos para o plano final, de cada um.
Para fotografar, tivemos a ideia de preencher o espaço além dos frames com desenhos e textos dos alunos, além dos materiais usados na animação. Nesta etapa fotografamos na truca do NUCA, eu e Josimário animando minimamente a chegada / saída de cada plano e outros pequenos detalhes, cuidando para que o nosso trabalho não se sobrepusesse à animação dos alunos. Após esta parte e o tratamento das imagens, partimos para a edição. Convidamos os editores Gracielly Dias e Vinícius Alves para montar tudo, no que fizeram um trabalho genial. Na trilha, o músico Ednilson Gomes Júnior deu o toque preciso para fecharmos este pequeno trabalho de forma tão delicada.
Semana passada ocorreu o lançamento formaal do filme aqui em Fortaleza, junto com os outros dois trabalhos de conclusão de curso dos alunos do projeto. Foi muito bacana e emocionante estar ali presente. Depois, conversando com alguns dos outros professores do curso, percebi que na verdade nós é que aprendemos com os alunos - aprendemos a sermos livres de novo. Pois, conforme vamos nos desenvolvendo mais, conhecendo mais e produzindo, vamos de certa forma abandonando aquele espírito livre do comecinho, de quando "nada" sabíamos mas tínhamos toda a coragem e disposição do mundo. Aquela "ingenuidade boa", como sempre digo, de quem se empolga com tudo e que vibra a cada nova descoberta. Tudo é novo e incrível, e esse é exatamente o espírito dele, ainda mais vendo o filme concretizado. Gerações anteriores que passaram pela escola se emocionaram na exibição, assim como familiares dos alunos. Umas das coisas mais bacanas que ouvimos é como este trabalho retrata este espírito adolescente, essa fase deles que, ainda que mude, ficou como registro para sempre no filme.
O trabalho já tem circulado por diversos festivais, entre eles a Mostra do Filme Livre e o Anima Mundi 2012. Estará agora em outubro no MUMIA, em Minas. De toda forma o filme está disponível na internet para qualquer pessoa assistir e inclusive baixar, se gostar. Vamos em frente :)
O curta Saudade foi o resultado da disciplina de Cinema de Animação, que ministrei na última edição do Projeto Educando o Olhar, um curso completo de audiovisual ministrado em escolas da rede pública de Fortaleza. A partir de uma visão da animação como algo mais livre, utilizei a técnica da rotoscopia, em que imagens reais filmadas são transformadas em frames separados e manipulados um a um. O material então é refotografado e vemos o movimento real, adicionado da manipulação manual. Foi um trabalho muito gratificante de fazer, e o resultado foi além das nossas expectativas. Novamente, Sabina Colares - a coordenadora e idealizadora do projeto - produziu, juntamente com Carolinne Vieira e comigo, e tive a assistência valorosa de Josimário Façanha, tanto durante as aulas como na finalização do material.
No vídeo dos bastidores, belamente produzido pela Comunik Filmes, podemos ter uma noção do processo:
As aulas foram muito divertidas, os alunos se empolgaram muito assistindo aos trabalhos de Norman McLaren, Oskar Fischinger e outros mestres da animação experimental. Assistimos ainda diversos trabalhos envolvendo a técnica da rotoscopia e da manipulação de imagens reais em animação. Reconheço que as oficinas que ministro sempre refletem um pouco as minhas inquiatações de cada momento. Quando a Sabina me perguntou sobre a possibilidade de trabalhar esta técnica com os alunos eu me empolguei um bocado, pois realizar um filme assim era - aliás, ainda é - uma das minhas maiores vontades. Poder compartilhar com os alunos essa possibilidade, dividir com eles a feitura de um filme assim seria muito bacana.
Quando assistiamos à referências, durante as aulas, sempre que acabava um filme que eles gostavam (e gostaram de todos), eu provocava perguntando "Qual a história deste filme? Quais os personagens? Sobre o que ele fala?". A impossibilidade de responder estas questões mostra que os trabalhos sem narrativa definida e personagens podem sim, ao contrário do que muitos imaginam, ser interessantes, ricos e empolgantes. Além do mais, era o primeiro contato de jovens (que tinham entre 16 e 18 anos) com um cinema mais abstrato, e não precisaram intelectualizar exageradamente o processo de entedimento - coisa necessária para muita gente que conheço, por sinal. O legal é exatamente ver como eles se identificam e podem usar estes trabalhos como ponto de partida para construir as suas próprias ideias.
Para realizar o filme, como foi mostrado nos bastidores, basicamente, cada aluno gravou cinco segundos em vídeo de algo que, para ele, remetesse à saudade. Alguns formaram grupos, mas todos escolheram o que filmar. Não havia roteiro. Alguns filmaram sem imaginar o que fazer depois, outros já tinham uma ideia precisa de como iriam interferir nas imagens. Após a filmagem, separamos os vídeos de cada aluno. Uma vez decompostos em frames (12 por segundo) e impressos (cabiam seis por página A4), cada aluno recebia os seus cinco segundos - no caso, sessenta frames - e utilizaram canetas hidrográficas, lápis de cor, giz de cera e sobretudo giz pastel para interferir nas cenas. O mais legal de usar o giz pastel é que ele permite que utilizemos cores claras para cobrir massas escuras da imagem original, isolando trechos ou repintando de uma forma bem particular, que associado ao movimento real da imagem dá esse "estranhamento" que é próprio de filmes em rotoscopia. Fizemos um teste onde pegamos uma cena de um aluno (um salto de uma escada) para que todos animassem. Isto tanto foi ótimo para que entendessem o princípio como para acompanharem o processo de captura - montamos uma truca na sala de aula e fotografamos este teste ao vivo, conforme terminavam. Após isso, partimos para o plano final, de cada um.
Para fotografar, tivemos a ideia de preencher o espaço além dos frames com desenhos e textos dos alunos, além dos materiais usados na animação. Nesta etapa fotografamos na truca do NUCA, eu e Josimário animando minimamente a chegada / saída de cada plano e outros pequenos detalhes, cuidando para que o nosso trabalho não se sobrepusesse à animação dos alunos. Após esta parte e o tratamento das imagens, partimos para a edição. Convidamos os editores Gracielly Dias e Vinícius Alves para montar tudo, no que fizeram um trabalho genial. Na trilha, o músico Ednilson Gomes Júnior deu o toque preciso para fecharmos este pequeno trabalho de forma tão delicada.
Semana passada ocorreu o lançamento formaal do filme aqui em Fortaleza, junto com os outros dois trabalhos de conclusão de curso dos alunos do projeto. Foi muito bacana e emocionante estar ali presente. Depois, conversando com alguns dos outros professores do curso, percebi que na verdade nós é que aprendemos com os alunos - aprendemos a sermos livres de novo. Pois, conforme vamos nos desenvolvendo mais, conhecendo mais e produzindo, vamos de certa forma abandonando aquele espírito livre do comecinho, de quando "nada" sabíamos mas tínhamos toda a coragem e disposição do mundo. Aquela "ingenuidade boa", como sempre digo, de quem se empolga com tudo e que vibra a cada nova descoberta. Tudo é novo e incrível, e esse é exatamente o espírito dele, ainda mais vendo o filme concretizado. Gerações anteriores que passaram pela escola se emocionaram na exibição, assim como familiares dos alunos. Umas das coisas mais bacanas que ouvimos é como este trabalho retrata este espírito adolescente, essa fase deles que, ainda que mude, ficou como registro para sempre no filme.
O trabalho já tem circulado por diversos festivais, entre eles a Mostra do Filme Livre e o Anima Mundi 2012. Estará agora em outubro no MUMIA, em Minas. De toda forma o filme está disponível na internet para qualquer pessoa assistir e inclusive baixar, se gostar. Vamos em frente :)
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Anima Mundi 2012!
Acabo de chegar de uma maratona de três semanas viajando, período no qual fui para as edições Rio e São Paulo do Anima Mundi - Festival Internacional de Animação do Brasil, que este ano completou vinte anos de existência. Foi uma experiência memorável. Sempre quis acompanhar as duas edições, e este ano finalmente deu certo. A energia que vibrou nestes dias, os amigos de longa data revistos, os novos amigos feitos, os filmes assistidos, os contatos com os convidados internacionais, os passeios pelas cidades, as surpresas (as gratas e as nem tanto), tudo foi mágico a ponto de só caber em várias postagens, que farei aqui na sequência. Na verdade, só mesmo estando lá pra sentir essa pulsação criativa e humana tão inspiradora, mas espero poder deixar aqui pequenos registros desta que foi uma das viagens mais memoráveis que já fiz.
Sem esquecer ainda que, de quebra, após o Anima Mundi ainda fui para São Carlos, acompanhar a Mostra Quadro a Quadro, simpático e acolhedor evento de animação que em sua primeira edição já foi muito bacana! Nas próximas postagens então, detalharei um pouco destes 21 dias animadíssimos que tive a oportunidade de vivenciar. :D
sexta-feira, 15 de junho de 2012
O real espírito de um animador
Há algumas semanas um vídeo me chamou a atenção no youtube. A pequena imagem que aparecia num canto, como vídeo promovido, era a que vemos abaixo; vários doces formando uma forma aparentemente animada que interagia com uma pessoa - uma animação em stop motion, como já dizia no título. Achei interessante e fui assistir.
Confesso que, sinceramente, fiquei meio decepcionado depois de ver. Inúmeras - e gritantes - variações de luz, mudanças bruscas o tempo todo no enquadramento, mudanças no formato das fotos também o tempo todo, e a animação em si, pra falar a verdade, achei muito da fraquinha. Não era possível que uma empresa como essa das balas contratasse alguém que não fizesse a coisa do jeito que deveria ser, como tantas coisas fantásticas nessa linha que vemos por aí. Ainda por cima, não conseguia entender como esse vídeo ainda conseguiu mais de trezentas mil visualizações sendo tão - achava eu - sem graça e tecnicamente fraco, aliás, fraquíssimo. Mas logo logo eu teria que engolir os meus próprios pensamentos quando assistisse, pouco depois, ao vídeo de bastidores do tal comercial:
Fiquei - e ainda estou - de boca aberta. A menina que aparece então no comercial não é uma modelozinha só pra constar - ela é a própria diretora, operadora de câmera, animadora e ainda aparece no filme!! Quantos filmes de animação você já viu que uma pessoa fez sozinha? Certamente vários, talvez muitos. Mas, quantos viu em que a pessoa que faz todas as funções ainda por cima aparece no filme como neste, tendo feito absolutamente tudo sozinha? Eu não me lembro agora de nenhum. Um pobre coitado de um faz-tudo "padrão", se não chama alguém para aparecer, aparece mas pelo menos tem um assistente ou pelo menos um amigo, irmão ou namorada pra acionar a câmera, sem os quais a solução é então não aparecer ou aparecer apenas uma mão sua, por exemplo. Mas a mocinha aí claramente pensou diferente e, na minha humilde visão, leva - assim como o fizeram todos os pioneiros e visionários de tantas áreas - todo o meio, todo o cinema de animação mundial um passo adiante. As precariedades técnicas que eu ingenuamente valorizei tanto se tornam ridículas perto da determinação dela em fazer o que queria, da maneira dela.
Como então que respondendo essas minhas teimosias idiotas em questionar o pouco domínio técnico dela até aí, ela mais recentemente fez outro trabalho, um comercial de maquiagens, tecnicamente superior, tanto fotograficamente como na animação. Mesmo esquema: ela mesmo se fotografava. Ela é tão insanamente genial que nem quis saber se a mão dela aparecia em cena com o disparador da câmera, apenas fez do jeito que imaginava e pronto. Impressione-se como eu vendo abaixo o comercial e os bastidores, no mesmo vídeo:
Mais impressionante ainda. Não tem estúdio? Crie o seu, oras! Use sua própria cama, monte um tripé em cima de pilhas de livros pesadões, ponha todos os elementos que vai usar em volta de você e tchau! Nessas horas tenho vontade de esganar aquelas pessoas nhé nhé nhé que vem dizer "Ah, queria fazer animação mas é muito difícil!... Não tenho equipamento, não tenho equipe, não tenho os materiais, é tudo caro, é tudo complicado... "...Tá certo. Enquanto uns reclamam, outros fazem. E assim caminha a humanidade.
Talvez essa moça não conheça os grandes realizadores do cinema de animação experimental, os pioneiros como Norman McLaren e Oscar Fischinger que trazem a tradição do One Man's Show pra animação, mas tenho certeza de que, conhecendo ou não, ela de fato leva o caminhar da área para novos rumos. Ela mesma se torna uma pioneira fazendo - exatamente como o McLaren e o Fischinger - as coisas da maneira dela e pronto. Faz naturalmente algo que é ainda mais complexo e específico do que muita coisa já consolidada. Não há escola, livro ou outra pessoa que ensine isso a alguém - isso surge em você, se molda nas suas aspirações, desejos e impulsos criativos e, quando você vê, já está fazendo. Ela tem sozinha mais determinação em fazer o seu pequeno filme do que muitas equipes inteiras que fazem trabalhos mega complexos e tecnicamente impecáveis por aí, mas que não têm um pingo de alma, um mínimo de sinceridade - coisa que ela tem, notoriamente, aos montes. O que ela sabe, ela faz e aprimora, o que não sabe, aprende na hora e faz. Simples assim.
E é aí que, mais uma vez, aprendo uma lição que achava já saber: não há limites para quem quer fazer algo. Não para quem pensa em fazer, mas para quem quer fazer. E quem quer fazer algo mesmo nem pensa sobre isso, apenas faz e pronto. Se o trabalho vai ficar bom aos olhos dos outros ou não, é outra história, mas com certeza a coisa tende a ficar melhor e melhor enquanto se faz - tecnicamente melhor, artisticamente fundamentado, instinto mais e mais aguçado e, consequentemente, o reconhecimento e apreciação dos que lhe rodeiam aumenta para mais e melhor. Sempre que alguém vem me perguntar o que se precisa para ser um animador, penso comigo mesmo na hora: "É mesmo né... o que é que se precisa?". Não sei responder. Acho sinceramente que nunca parei pra pensar nisso, e espero, como a nossa amiga acima, nunca parar pra pensar. O negócio é fazer, é ser sincero e meter as caras, botar a mão na massa que as coisas tomarão o seu próprio rumo e corpo ao materializar nossos maiores sonhos, conscientes e inconscientes, e nossa sinceridade ainda atrairá outros pelo caminho, que levarão o meio ainda mais longe. Em frente.
Confesso que, sinceramente, fiquei meio decepcionado depois de ver. Inúmeras - e gritantes - variações de luz, mudanças bruscas o tempo todo no enquadramento, mudanças no formato das fotos também o tempo todo, e a animação em si, pra falar a verdade, achei muito da fraquinha. Não era possível que uma empresa como essa das balas contratasse alguém que não fizesse a coisa do jeito que deveria ser, como tantas coisas fantásticas nessa linha que vemos por aí. Ainda por cima, não conseguia entender como esse vídeo ainda conseguiu mais de trezentas mil visualizações sendo tão - achava eu - sem graça e tecnicamente fraco, aliás, fraquíssimo. Mas logo logo eu teria que engolir os meus próprios pensamentos quando assistisse, pouco depois, ao vídeo de bastidores do tal comercial:
Fiquei - e ainda estou - de boca aberta. A menina que aparece então no comercial não é uma modelozinha só pra constar - ela é a própria diretora, operadora de câmera, animadora e ainda aparece no filme!! Quantos filmes de animação você já viu que uma pessoa fez sozinha? Certamente vários, talvez muitos. Mas, quantos viu em que a pessoa que faz todas as funções ainda por cima aparece no filme como neste, tendo feito absolutamente tudo sozinha? Eu não me lembro agora de nenhum. Um pobre coitado de um faz-tudo "padrão", se não chama alguém para aparecer, aparece mas pelo menos tem um assistente ou pelo menos um amigo, irmão ou namorada pra acionar a câmera, sem os quais a solução é então não aparecer ou aparecer apenas uma mão sua, por exemplo. Mas a mocinha aí claramente pensou diferente e, na minha humilde visão, leva - assim como o fizeram todos os pioneiros e visionários de tantas áreas - todo o meio, todo o cinema de animação mundial um passo adiante. As precariedades técnicas que eu ingenuamente valorizei tanto se tornam ridículas perto da determinação dela em fazer o que queria, da maneira dela.
Como então que respondendo essas minhas teimosias idiotas em questionar o pouco domínio técnico dela até aí, ela mais recentemente fez outro trabalho, um comercial de maquiagens, tecnicamente superior, tanto fotograficamente como na animação. Mesmo esquema: ela mesmo se fotografava. Ela é tão insanamente genial que nem quis saber se a mão dela aparecia em cena com o disparador da câmera, apenas fez do jeito que imaginava e pronto. Impressione-se como eu vendo abaixo o comercial e os bastidores, no mesmo vídeo:
Mais impressionante ainda. Não tem estúdio? Crie o seu, oras! Use sua própria cama, monte um tripé em cima de pilhas de livros pesadões, ponha todos os elementos que vai usar em volta de você e tchau! Nessas horas tenho vontade de esganar aquelas pessoas nhé nhé nhé que vem dizer "Ah, queria fazer animação mas é muito difícil!... Não tenho equipamento, não tenho equipe, não tenho os materiais, é tudo caro, é tudo complicado... "...Tá certo. Enquanto uns reclamam, outros fazem. E assim caminha a humanidade.
Talvez essa moça não conheça os grandes realizadores do cinema de animação experimental, os pioneiros como Norman McLaren e Oscar Fischinger que trazem a tradição do One Man's Show pra animação, mas tenho certeza de que, conhecendo ou não, ela de fato leva o caminhar da área para novos rumos. Ela mesma se torna uma pioneira fazendo - exatamente como o McLaren e o Fischinger - as coisas da maneira dela e pronto. Faz naturalmente algo que é ainda mais complexo e específico do que muita coisa já consolidada. Não há escola, livro ou outra pessoa que ensine isso a alguém - isso surge em você, se molda nas suas aspirações, desejos e impulsos criativos e, quando você vê, já está fazendo. Ela tem sozinha mais determinação em fazer o seu pequeno filme do que muitas equipes inteiras que fazem trabalhos mega complexos e tecnicamente impecáveis por aí, mas que não têm um pingo de alma, um mínimo de sinceridade - coisa que ela tem, notoriamente, aos montes. O que ela sabe, ela faz e aprimora, o que não sabe, aprende na hora e faz. Simples assim.
E é aí que, mais uma vez, aprendo uma lição que achava já saber: não há limites para quem quer fazer algo. Não para quem pensa em fazer, mas para quem quer fazer. E quem quer fazer algo mesmo nem pensa sobre isso, apenas faz e pronto. Se o trabalho vai ficar bom aos olhos dos outros ou não, é outra história, mas com certeza a coisa tende a ficar melhor e melhor enquanto se faz - tecnicamente melhor, artisticamente fundamentado, instinto mais e mais aguçado e, consequentemente, o reconhecimento e apreciação dos que lhe rodeiam aumenta para mais e melhor. Sempre que alguém vem me perguntar o que se precisa para ser um animador, penso comigo mesmo na hora: "É mesmo né... o que é que se precisa?". Não sei responder. Acho sinceramente que nunca parei pra pensar nisso, e espero, como a nossa amiga acima, nunca parar pra pensar. O negócio é fazer, é ser sincero e meter as caras, botar a mão na massa que as coisas tomarão o seu próprio rumo e corpo ao materializar nossos maiores sonhos, conscientes e inconscientes, e nossa sinceridade ainda atrairá outros pelo caminho, que levarão o meio ainda mais longe. Em frente.
domingo, 27 de maio de 2012
Entrevista - Voyeur Gráfico
Compartilho com os amigos uma entrevista que dei ao sensacional site Voyeur Gráfico, sobre as minhas fotografias. Segue o link:
Conduzido pelo articulador das artes (e também inquieto) Wendel Alves e talentosa equipe, o Voyeur é um site que mostra um pouco do que está sendo feito no mundo inteiro em termos criativos - artes plásticas, ilustração, cinema, música, fotografia, moda, games -, e foca bastante nos talentos daqui do Ceará, que cada dia mais se mostra um celeiro de talentos visuais de primeira ordem.
O Voyeur já existe há mais tempo como página no Facebook, e embora o site tenha sido inaugurado recentemente, diversos grandes nomes locais - e amigos - já passaram por lá, como Dimitri Bastos, Marcelo Müz, Galber Rocha, Ramon Cavalcante, e vários outros. Pela primeira vez me vi como parte de algo, isto é, no sentido de fazer parte de uma geração de artistas, de pessoas de uma determinada época que pensam criativamente e se dedicam de coração àquilo que fazem. Assim, é uma honra e orgulho figurar no site e perceber que, além de não estarmos sozinhos, fazemos parte de algo maior, de um momento único na história da criação artística, tanto de forma local como nacional e até mundial.
Também nos faz pensar como o tempo passa e vermos que tudo faz a diferença, tudo que investimos, tudo o que nos esforçamos para realizar, e nada dá maior sensação de realização do que ver que o que nos emociona também emociona a outros, e assim por diante. Como já coloquei em outras postagens, isso pra mim é o melhor que posso receber em troca, o melhor "pagamento": saber que o nosso trabalho contagiou alguém, motivou alguém a fazer algo bom, inspirou, instigou, empolgou, fez alguém querer entrar na área, querer criar também.... puxa. Pra mim, isso é a melhor coisa que pode acontecer.
Vida longa ao Voyeur e a nova geração de artistas! :D
quinta-feira, 17 de maio de 2012
MUMIA 10 - Vinheta: Call for Entries 2012
Vinheta recém-finalizada para a décima edição do MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação. Fui convidado pelo criador e diretor do MUMIA, Sávio Leite, para criar a identidade visual do evento deste ano, e propus fazermos também algumas vinhetas. A primeira então é esta, a chamada para inscrições internacional. Foi um trabalho sensacional de fazer. Livre, solto, espontâneo, incorporando literalmente tudo o que aparecesse no caminho - de objetos a ideias, imprevistos e até - e principalmente - o que se poderia considerar como erros. O resultado me agradou muito, e só reforça aquilo que eu já acreditava: que temos que fazer aquilo que gostamos, da maneira que queremos e não ter medo de nada. Ser sincero no que fazemos, fazer de coração. Incorporar tudo, de todo lugar.
Essenciais para este trabalho - sem os quais ele jamais teria ficado como ficou, se é que teria existido - foram as contribuições de Josimário Façanha - mais do que um assistente, uma mão amiga que está atenta a tudo e traz excelentes ideias a qualquer projeto que seja - e de Denis Akel, meu querido irmão que na sua calma literária deu o pontapé inicial para que eu pudesse criar o som. E ainda, claro, agradecimentos especiais também ao Núcleo de Cinema de Animação Casa Amarela Eusélio Oliveira, que cedeu o espaço para que pudéssemos, mais uma vez, enlouquecer animando todos estes objetos por dias. A estrutura incrível da Sala da Truca foi determinante.
Breve posto mais sobre os bastidores deste trabalho super divertido de realizar. Vamos em frente! :)
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
Música: Underscore Orkestra e o Creative Commons
Abro uma nova linha aqui no blog, falando um pouco de música - uma de minhas grandes paixões - e como a relaciono com tudo o que faço. Então, não conseguir pensar neste momento em nada melhor do que falar da sensacional banda Underscore Orkestra, cujas músicas compartilho acima - todas podem ser ouvidas, baixadas, compartilhadas livremente e até utilizadas em trabalhos derivados (tudo sem fins lucrativos, claro), pois detém esta licença no CC - Creative Commons, e este é um dos motivos pelo qual falo delas.
Conheci o genial trabalho deste pessoal procurando por músicas de uso livre, para poder utilizar nos meus filmes. Encontrei esse álbum completo deles no Free Music Archive, site muito bacana por sinal. Assim que vi, achei interessante e fui ouvindo-as. Qual não foi minha agradável surpresa - um estilo louco e alucinado dos Balcãs que é meio jazz, big band de swing, rock, pop, folk e mais um bocado de coisas que se puder imaginar, tudo com esse tempero do leste europeu . Simplesmente fantástico, os caras tem uma energia que não vemos muito por aí. Desde que baixei, há mais de um ano, não canso de ouvir, repetidamente.
O próximo passo: fazer então meus curtas utilizando essas músicas. Vou contatar a banda no site deles para ver se dá mesmo pra usar as músicas em filmes como pretendo, mas até onde vi, elas podem ser realmente reutilizadas, remixadas, refeitas e tudo mais, mas com duas condições: desde que o trabalho derivado seja identificado como feito a partir do trabalho deles (com os links deles e tudo) e - esta é a melhor parte - desde que o trabalho final seja compartilhado com licença similar ou igual à do trabalho de origem. Resumindo: se eu quiser fazer um filme utilizando as músicas deles na trilha, o meu filme terá de ser compartilhado de forma que seja livre o uso para qualquer pessoa reutiliza-lo, remixa-lo, invertê-lo, usar trechos e tudo mais - desde que me dê o crédito como criador da obra de origem. E por aí vai. Massa, não?
A primeira vez que vi esta licença me senti esquisito, e quase desisti da ideia de usar a música deles. "Deixar meu filme ser reutilizado por qualquer um?? Tá louco??", pensei na hora. Tenho certeza que a maioria dos meus colegas de profissão - senão praticamente todos - dificilmente fariam um filme nestas condições. Mas, ouvindo direto as músicas, passei meses e meses pensando, e a cada momento mais me perguntava "Ué, por que não?". Ah, eu adoraria usar trechos de filmes de cineastas que gosto dentro dos meus trabalhos, se pudesse. Se eu conseguir um dia conseguir fazer um trabalho que toque alguém, que faça alguém se emocionar como eu me emociono com as minhas referências, por que diabos ser tão conservador? Já tinha decidido há mais tempo fazer o máximo de trabalhos em CC, só que só liberando para baixar e distribuir, e vejo agora que liberar um trabalho para reuso é o próximo passo lógico. Sei que não há nada mais clichê do que a frase "Desta vida não levamos nada", mas não consigo pensar numa razão pela qual não liberaria um trabalho cuja genial música só foi possível graças ao "desapego" (muito positivo!) dos músicos da Underscore Orkestra. A ideia de fazer estes filmes parte da música compartilhada dessa forma, então, por que não nos "rendermos" à liberdade de uso de obras artísticas como um todo? Todos adoram baixar filmes gratuitamente, então viva ao CC, que legitima isso e permite ainda mais.
Vejo então que quando mais algo mexe com a gente - conosco, artistas - mais devemos ir atrás desse algo, mas devemos utiliza-lo a nosso favor - não como inimigo, mas como parceiro, como uma máquina que nos transportará à tempos ainda melhores e mais justos, à realizações artísticas impensáveis no nosso mundinho, na nossa "zona de conforto" artística da qual ficamos tão dependentes. Arte, pra mim, é isso: risco, medo, teste, rascunho, tentativa e erro. Um grande e poderoso "E se...". Se isso tocar o outro, o fizer pensar, agir e seguir adiante emocionando pessoas, as fazendo melhores, as incentivando, levando-as a dar o melhor de si - como eu me sinto ao ver todos estes trabalhos fantásticos - acho que o nosso trabalho foi feito. Mais do que nunca, em frente! :)
terça-feira, 27 de março de 2012
Referência: Universidade dos pés-descalços
Outro dia estava pensando que acabo só postando aqui minhas referências da própria área de cinema de animação que, claro, são as minhas bases, mas muitas vezes esquecemos que somos influenciados por tudo que passa por nós, e às vezes (muitas vezes!) algo muito interessante vem de onde menos esperamos - isto é, de fontes diferentes das que nos acostumamos a procurar.
Quando vi este vídeo me identifiquei profundamente: o autor coloca que todos tem capacidade extraordinárias, mesmo - e principalmente - executando as atividades mais simples que conseguimos imaginar. O conhecimento não deve ser elitizado e restrito à poucos, aliás, ele não é - todos, com o que sabem, podem fazer a diferença no que quer que façam, para construir algo melhor, seja o que for.
Hoje em dia, onde me vejo cada vez mais envolvido com cursos, oficinas, seminários e palestras (e extremamente feliz com isso), esses pensamentos povoam pulsando a minha cabeça.. Cada aluno traz um potencial enorme, uma pureza que muitas vezes se traduz em ideias geniais que muitas vezes ultrapassam pessoas com anos de experiência na área. Esta pureza, esta sede em começar algo novo, ou desenvolver algo à sua própria maneira, do jeito que se sabe - quem mexe com animação no Brasil sabe bem como é isso - é umas das coisas mais bacanas que consigo imaginar. A arte é algo que, cada dia percebo mais, se comunica diretamente com o coração. Vai do coração do artista diretamente ao coração daquele que contempla a obra. É uma transmissão direta, e que tende a continuar. Por isso, cada vez mais, penso eu, temos que devolver ao mundo aquilo que recebemos, dar a nossa contribuição ao meio que, de uma maneira ou de outra, nos formou. Hoje, no meio do cinema, isso pode se traduzir em compartilhar os trabalhos a todos que se interessem em todos os canais possíveis, dividir técnicas, métodos, macetes, processos, sobretudo pensamentos e ideias, e sem claro esquecer até as nossas mais secretas gambiarras. Acho que só temos a ganhar, e particularmente vejo que nada me dá mais satisfação do que alguém vir até mim falar de um trabalho que fiz que, de alguma forma, ajudou ou ajuda essa pessoa em algo. Isso é o melhor pagamento que existe. E ainda penso mais, como outro dia conversava com o Denis, meu irmão, penso que é essa a nossa função: sedimentar e dar as melhores bases possíveis para os que virão, assim como hoje temos as dos que vieram antes de nós. Diretamente, minhas referências, meus pais artísticos, que tanto dialogo e tanto me ensinam sempre. E esse círculo aumenta sempre, como falei no início, indo além da nossa área e se expandindo a todos aqueles que acreditam cegamente no que fazem e nos transmitem a sua empolgação. Poder um dia ser uma referência para alguém para mim seria a maior honra que eu poderia ter, infinitamente maior do que ganhar qualquer prêmio. Pois é a prova máxima que a coisa está evoulindo, crescendo, indo de coração a coração, sem intermediários.
Obrigado de coração à sempre querida Francimone Campos que me mostrou este vídeo, já sabendo que eu me identificaria tanto. Fran, ele não poderia ter chegado em melhor momento. Em frente! :D
segunda-feira, 12 de março de 2012
Estudo animado: Azul
Mais um estudo animado feito no iPhone. :)
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segunda-feira, 5 de março de 2012
Pequenos achados: entardecer
Hoje, enquanto pensava que as minhas fotos estavam muito repetidas e que estes dias não estava com vontade de fotografar muita coisa, eis que, parecendo de propósito, o dia me mostra um entardecer belíssimo, aliado a uma rua em particular que durante o pôr-do-sol fica quase um corredor de luz na cidade. Árvores em alto contraste, formas impressionantes e ângulos interessantíssimos, tudo apenas da janela do carro onde eu estava. Acho que quando algo toca a gente, não precisamos de muito pra colhê-lo. Basta pegar. :)
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Diário Gráfico
Algumas imagens atuais do meu diário gráfico de bolso, que tenho desde 2010 e contando. A maioria delas - percebo agora - são estudos de rostos e expressões, várias dos quais comecei faz tempo e, conforme acho necessário, vou interferindo nos meses e anos seguintes. A princípio a ideia de mexer em desenhos antigos - e "tirar a sua característica daquele tempo" me parecia uma má ideia, mas cada vez mais me dou conta de que na arte - e talvez na vida - não devemos ter medo de nada e, se der na telha, riscar, jogar tinta mesmo por cima e tchau. Realmente, se já faço isso nas telas, por que não nos desenhos no caderninho?
Uma coisa interessante que li sobre diários gráficos é que eles são feitos para um único público - o próprio artista; isto é, eles são feitos como registro para si mesmo, possibilidades para um possível uso no futuro - ou não -, imagens que podem ser interessantes - ou não - , enfim, coisas que como um todo podem - como também não - vir a ser utilizadas. É, mais do que tudo, um registro sem compromisso. De toda forma, compartilho com prazer estes estudos aqui no blog. Se são bons ou não, e se vão ser úteis para alguma coisa além de protagonizar esta postagem, só o tempo dirá. Vamos então, novamente, em frente :)
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Referência: Theodore Ushev e o belíssimo "Nightingales in December"
Sensacional trabalho do grande animador Theodore Ushev, um cara cuja obra admiro demais. No blog dele ele fala que o filme surgiu de um convite sensacional: O Festival Du Nouveau Cinemá, do Canadá, o convidou para criar um filme seu, na comemoração do quadragésimo aniversário do festival. O filme abriu as exibições.
Um trabalho como este me emociona na medida que consegue, ao meu ver, ultrapassar e transcender todas as "questões" que tanto nos preocupam - narrativa, história, aspectos de produção, técnicas de animação, som etc - e ir muito, muito mais além, nos atingindo diretamente no coração. Tudo é criado de forma sincera, livre e, logo, magnífica, e tudo flui resultando num trabalho belíssimo. A sensação, o sentimento da obra, a sua energia, a sua vontade - é isso o que fica. É o que, no fim das contas, passamos a carregar conosco após vermos algo que nos identificamos. Aplaudo de pé e saúdo este que sem dúvida é um dos melhores curtas que já vi. Claro que eu poderia de toda forma dar ainda uma opinião mais técnica; que as imagens são fantásticas, que animação é primorosíssima, que a música é deslumbrante, a montagem precisa, o ritmo perfeito - e é tudo isso! - mas, como coloquei antes, acredito cada vez mais que as sensações são o que realmente ficam, e é o que prefiro fechar dizendo.
Obs.: Se a janelinha acima do vídeo rodar cortada, e se não puder expandir a janela do navegador, ou o filme não rodar, assista o filme diretamente no site do festival, neste link. Só não deixe de assistir! :D
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
Sábado de carnaval: pequeno ensaio em PB
Algumas imagens feitas hoje, entre ruas e shoppings - mais especificamente entre céus e manequins - num sábado de carnaval chuvoso em Fortaleza. A experimentação de se estourar luzes e contrastes no tratamento de imagem praticamente em simultâneo ao se fotografar mostra cada vez mais e mais divertida. Mais uma vez, o processo propicia se criar mais intuitivamente, improvisar, no momento, preservando o frescor da criação. :)
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Pequenos achados
Esperando o ônibus, um dia desses, na Av. Desembargador Moreira, em Fortaleza, deparo-me com esta pequena visão de uma árvore com uma linda silhueta e do céu tão sereno. Nada como o celular que também é câmera e também trata as imagens e também as envia direto para a internet, sem escalas, para podermos capturar e compatilhar quase em simultâneo. Está registrado :)
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