Pequeno registro deste momento que sempre esconde uma certa beleza por trás da desordem e acumulação de nossas mesas de trabalho.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
sábado, 14 de maio de 2016
Diário de bordo: uma pequena viagem a Canoa Quebrada
Registros de uma pequena viagem para tirar um descanso em Canoa, com minha família. Foram apenas alguns dias, mas o suficiente pra recarregar as baterias.
Já houve um tempo que os registros de viagem que eu fazia eram exclusivamente escritos e muito detalhados, mas o tempo foi passando e o registro em imagens passou também por fotografias e agora segue desenhado, pintado, escrito, com alguns títulos, textos, pensamentos... o mais solto e livre possível. Na verdade, esse registro ocorre também no dia-a-dia, todos os dias, sobre o cotidiano mesmo, e claro, também incluindo as viagens. Já faz quase um ano que o tenho feito assim, e é algo que eu breve falarei numa próxima postagem.
Levei pra Canoa uma porção pequena mas suficiente de material de desenho, que continha basicamente canetas diversas, marcadores - sobretudo as Poscas -, lápis, líquido corretivo, uma porção de sobras de papéis coloridos e de revistas e livros para recortes (ótimos para quando não podemos levar grandes quantidades de tinta), uma pequena aquarela e um dos meus materiais preferidos hoje: um waterbrush - pincel sintético com reservatório para água, para uso em aquarela - cheio de nanquim, com o qual posso desenhar e pintar livremente em qualquer lugar com boas pinceladas de preto profundo (uma das coisas que mais me dá prazer ao desenhar). E claro, todos os papéis que me chegavam às mãos - notas de compras, cartões de visita, tickets de embarque do ônibus e afins - entravam na dança e viravam novos elementos de composição.
É extremamente divertido criar assim, "no caminho", muitas vezes "onde não se deveria fazer arte", isto é, no ônibus, na fila pra alguma coisa, na mesa cheia de comida e por aí vai. Não por acaso é justamente nestes ambientes onde os melhores trabalhos aparecem, e além do próprio registro, é muito bom estar sempre praticando, treinando e se habituando a criar a toda hora, em todo lugar, a partir do que se tem. Claro que nem sempre o resultado é o que esperamos, mas como já dizem vários artistas também adeptos dos cadernos, basta virar a página e seguir em frente.
No entanto, confesso que por vezes o registro parece meio bobo na hora que você faz - ou o desenho não ficou tão expressivo, ou os fatos não parecem assim tão interessantes que mereçam menção ou mesmo questionamos a própria razão por que diabos estamos "gastando" nosso tempo registrando o que nos cerca a toda hora, ao invés de "viver" a realidade e pronto. Mas é justamente aí é que está: quando se registra, se vive a realidade do momento de forma incrivelmente intensa, e continuaremos revivendo sempre que voltarmos ao caderno, cujos desenhos - por mais bobos e toscos e aquém do que imáginavamos ser o ideal sejam - eternamente nos levarão de volta ao momento da sua feitura, ao local. Fotografias e textos sozinhos não fazem isso como os desenhos, que parecem ter algum tipo de poder associado ao momento que o fazemos na realidade vivida, quase como se gravássemos os fatos na pedra da memória, a cada traço, a cada pincelada, a cada papel cortado e colado.
E pequenos textos sempre complementam e enriquecem o registro, que na verdade é a soma disso tudo. E nestes meus registros tem um pouquinho de tudo; cafés da manhã e outras refeições, retratos de quem passava pela minha frente, paisagens, animais, objetos mas sobretudo, sensações. No fim das contas, acho que é isso: tentar captar da melhor forma possível as sensações vividas. Mais uma vez, muitas vezes os retratos das pessoas sairão completamente esquisitos e nem um pouco parecidos com os modelos reais, e também as paisagens, objetos e outros sairão bem diferentes, mas essa é a graça da coisa: dar o nosso ponto de vista sobre algo, como artistas, interpretar, transformar, e colher um pouco de tanta coisa incrível que vivemos todo dia e muitas vezes parece que ficamos cegos, incapazes de perceber tais sutilezas. Mas seguimos em frente, registrando, absorvendo e eternamente nos calibrando e refrescando o olhar em cada esquina - mesmo nas dentro de casa.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Dois curtas selecionados no Fest Anca 2016 (Zilina, Eslováquia) !
E meus curtas Repentino e Máscara foram selecionados na edição deste ano do Fest Anca Internacional Animation Festival, um festival internacional muito bacana de cinema de animação que acontecerá de 29 de junho a 03 de julho na cidade de Zilina, na Eslováquia. Inscrevi vários trabalhos, e achei muito interessante que estes foram justamente os que entraram (a seleção sempre diz muito - ou tudo - sobre o perfil de um festival), e fazem parte de uma categoria interessantíssima chamada Extremely Short Section of Extremely Short Films, que contém filmes curtíssimos de realizadores do mundo inteiro.
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| Imagem do Repentino |
Ambos os filmes fazem parte de um conjunto de vinte trabalhos que fiz inteiramente - ou quase inteiramente - em dispositivos móveis. No caso dos dois, a animação, edição e finalização foram feitas inteiramente em dispositivo móvel (num iPad quarta geração). Uma vez finalizados, já os subi diretamente para a página dos curtas no meu canal do vimeo, o que os torna filmes que foram feitos sem depender de estruturas maiores de câmera, computadores e outros equipamentos. Isso dá uma liberdade enorme de criação, o que inclusive acredito que fica evidente assistindo aos filmes.
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| Imagem do Máscara |
Repentino from Diego Akel on Vimeo.
Máscara from Diego Akel on Vimeo.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Autorretratos
Autorretrato, o tema clássico do retrato desenhado ou pintado, ou mais ainda, na fotografia, nestes tempos de selfies. Outro dia estava num blog de uma artista, e ela falava de um projeto pessoal em que fazia autorretratos ocasionalmente nos seus cadernos. Confesso que no momento achei meio bobo, meio narcisista demais, mas - como muita coisa aqui nos meus processos ultimamente - logo revi esse meu pensamento besta e, junto com o que li de outros artistas, fez todo o sentido do mundo - afinal, como dizem eles, somos um modelo que está sempre disponível, que não vai ficar chateado se o retrato não parecer em nada com o real, e ainda, que cobra um preço que podemos pagar. Por que não então?
Estes autorretratos então foram feitos sob diversos contextos, mas sobretudo como treino de um traço mais solto e descompromissado, às vezes inclusive desenhando às cegas. Nada de esboço, precisão, unidade... Na verdade, tentando não pensar em nada - por que acaba que o próprio fato de se fazer algo sem usar regras tradicionais é criar novas regras -, deixar simplesmente fluir.
Boa parte deles foram feitos após as madrugadas em claro trabalhando num projeto grande (sobre o qual em breve postarei) aqui no estúdio, e queria fazer algum registro de como me encontrava após horas e horas animando até ouvir os passarinhos da manhã cantando. E vamos em frente :-)
terça-feira, 3 de maio de 2016
05:03
Pequeno registro feito ontem da linda luz nas primeiras horas do dia, com a noite sumindo e dando lugar aos tons amarelos, quase esverdeados do azul profundo que se esvai. Usei o nanquim azul da Acrilex (de linda cor, além de ser tão baratinho que tenho que comprar caixas e caixas dele!) que acho que retrata bem o azul e seus tons aguados desaparecendo para o dia. Ainda, a textura de fundo - um mapa de Pernambuco - da página do caderninho se prestou bem na composição. E vamos em frente :-)
quinta-feira, 17 de março de 2016
Carimbos!
E estes dias coloquei em prática uma ideia que surgiu há algum tempo; criar meus próprios carimbos. Desde que fiz um curso de gravura, há anos atrás, que a coisa da impressão me pegou. Pensava na época em fazer gravuras animadas, mas o tempo foi passando e me dediquei em outras possibilidades. Tempos depois, conheci a artista Luci Sacoleira, que faz carimbos super bacanas de seus personagens. Então ela me deu a dica; com as cabeças de madeira vazias disponíveis, basta recortar a forma desejada em borracha pra artesnato E.V.A. e colar no carimbo. Pronto!
Mas o tempo passou, e mais uma vez segui por outros caminhos. Aí outro dia desses, por conta de uma questão burocrática de um projeto, tivemos eu e Carol Vieira - amiga muito querida e produtora do projeto - que fazer uns carimbos para efetivamente carimbar nas páginas do dito cujo. E aí encontramos uma casa e gráfica muito simpática aqui no centro de Fortaleza, cujo dono, o Prof.: Marcos, nos recebeu muito bem e logo ficamos amigos. Daí mais um tempo depois, quando me vejo tão empolgado nos cadernos e testando muitas novas possibilidades, resolvi botar em prática a velha ideia das impressões. E aqui estamos. De dois dias pra cá, entre um trabalho e outro, madrugadas adentro, os carimbos tem nascido.
A xilogravura é uma técnica que não abandonei (embora não tenho mais feito nada na linha desde o curso, em 2010), mas os carimbos oferecem uma possibilidade de igualmente imprimir imagens, embora de forma simplificada, mas ainda prática, rápida e imediata.
| Recriando padrões urbanos, como esse bloco de concreto de chão. |
| Alguns dos carimbos que fiz até o momento. |
O processo é bem simples mesmo; recortar do E.V.A. pequenas formas, adequadas à cabeça disponível, e em seguida as colo na madeira, com cola de bastão mesmo. Mesmo que saiam com o tempo, tudo bem, posso aproveitar a cabeça pra colar outros padrões depois, reaproveitando a madeira.
Abaixo, algumas imagens das impressões dos carimbos nos meus caderninhos, sobrepondo as formas, variando a tinta nos carimbos e outros experimentos.
| Imagem em macro de um dos carimbos. |
| Imagem também em macro com a impressão do carimbo da foto anterior. |
E mesmo um pequeno teste de animação saiu do estúdio esta madrugada, apenas experimentando as texturas de um mesmo carimbo em sequência:
E sigamos em frente nesse mundo novo de incríveis possibilidades, vindo de algo tão simples, mas que pode ser - grafica e visualmente - tão poderoso.
sábado, 12 de março de 2016
Curtas selecionados em El Ventilador - Santa Fe, Argentina
E cinco dos meus curtas foram selecionados para a edição deste ano do El Ventilador - Festival Internacional de Cine de Animación de Santa Fe, Argentina. O festival será agora em março. Os filmes que entraram foram o Fluxos, Agradecimento, Mobilis, Sexta à noite e Maria da Glória. Enviei no total 13 trabalhos, produções de 2012 a 2015 (já que este é um dos raros festivais que não tem essa frescura de trabalho de dois anos anteriores apenas - e vários só aceitam filmes do ano corrente e anterior, o que acho bem ridículo). Consegui saber bem pouco a respeito do festival, mas a julgar pela organização e o tom simpático do site, parece ser feito por pessoas dedicadas e que realmente gostam do que fazem - mais uma coisa que não acontece em todos os festivais. Bacana. Seria legal de repente dar um pulo por lá. E vamos em frente :)
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| Fluxos, 2014 |
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| Agradecimento, 2013 |
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| Mobilis, 2014 |
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| Sexta à Noite, 2014 |
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| Maria da Glória, 2012 |
sexta-feira, 4 de março de 2016
Macro sketchbook
Algumas fotos em macro da pintura que estou fazendo agora aqui no caderninho. Fotografar em macro é sempre descobrir um mundo novo... e mais louco ainda quando é uma coisa que você está criando, e descobre então um outro universo ali.
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