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domingo, 9 de outubro de 2016

Animação para o coletivo Danny Rose - Vivid Sydney 2016

Foto de Danny Rose.
No começo deste ano fui contatado pelo prestigiado e talentoso coletivo de artistas francês Danny Rose. Eles - que criam trabalhos envolvendo projeções criativas de altíssima qualidade em festivais, instituições e shows por todo o mundo - viram o meu curta Fluxos, gostaram muito e me escreveram para falar de um projeto que eles realizam todo ano: uma projeção de video mapping gigantesca que envolve o Museu de Arte Contemporânea de Sydney, Austrália, dentro de um festival chamado Vivid Sydney.

Foto de Danny Rose.
Meu curta que serviu de base para o trabalho a ser feito.

Para a edição deste ano do festival o coletivo desenvolveu um conceito baseado em elementos pictóricos, materiais, explorando a pintura e suas diversas formas - The Matter of Painting. Fui então convidado para o trabalho: criar dois minutos de animação em massinha de modelar, ponto de vista table top, como o Fluxos, para integrar na animação maior que eles estavam desenvolvendo para a projeção. A animação deveria ser feita levando em consideração que seria projetada no prédio do museu, e todas as formas que eu iria criar iriam "passear" por toda a sua estrutura e interagir de alguma forma com ela. E ainda, um diferencial para mim seria que ao contrário do meu curta, em que só usei massa de modelar branca, desta vez tudo seria com massas multi-coloridas.

Foto de Danny Rose.
O trabalho foi realizado num período de alguns meses, no qual tive diversas reuniões via skype com o coletivo, definindo detalhes técnicos e conceituais. Sempre muito abertos e receptivos, eles me deram muita liberdade para criar e desenvolver a animação, pois uma das coisas que mais funciona, crio eu, em um trabalho como o Fluxos é justamente a imprevisibilidade do processo. Temos uma vaga ideia do que fazer, mas só na hora de se animar a coisa se apresenta. Tudo pode mudar o tempo todo e esse caráter "de improviso" é o que dá a força do filme. De toda forma, para este trabalho conseguimos achar um meio termo entre conceber ideias gerais de movimento, ritmo, cor e intenção, e ao mesmo tempo deixar espaço para a coisa fluir por si mesma.

Foto de Danny Rose.
O processo da animação em si levou quase um mês, e foi intenso e desafiador demais, mas muitíssimo prazeroso. Fiquei satisfeitíssimo com o resultado final. No fim das contas, animar na mesma técnica do Fluxos com várias cores de massa de modelar é quase como se fosse outra técnica, tamanha é quantidade de variáveis que ocorrem no processo. Fiquei com muita vontade de emendar um novo curta com essa técnica logo após terminar o trabalho.

Foto de Danny Rose.
Foto de Danny Rose.
De 27 de maio a 18 de junho a projeção do The Matter of Painting ocorreu no Vivid Sidney, e foi um sucesso. Abaixo, o registro da instalação em vídeo, realizado pelo próprio Danny Rose (meu trecho vai dos 4:57 min. até o final):


E para fechar, decidi postar aqui uma forma diferente de registro dos bastidores, através do que desenhei, escrevi e retratei nos meus cadernos, durante todo o processo de produção. Planejamentos, compra de materiais, testes, organização (e desorganização) do estúdio e todo o laborioso processo de animação madrugadas adentro, trabalhando de noite e dormindo de dia, onde - como brincava o pessoal do Danny Rose - eu acabava estando no fuso horário de Sidney. Vai que isso me sintonizou mais no trabalho... :P

E é isso. Foi uma honra ter sido convidado para este trabalho; mais uma vez, uma destas coisas que mostram que estamos no caminho certo. E vamos em frente. :)



















sábado, 6 de junho de 2015

Entrevista 05/Jun/2015 - Rádio Universitária


Entrevista realizada comigo por Drielle Furtado, na Rádio Universitária da UFC, aqui em Fortaleza. Falamos sobre o meu curta Micro-Macro que foi selecionado para o Cine Ceará deste ano, inspirações, abordagens possíveis da animação e outros tópicos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Referência - Dóra Keresztes


Conheci o trabalho desta animadora da Hungria na sempre incrível sessão Galeria, do festival Anima Mundi, em 2011. O trabalho dela que vi na ocasião, o Álommalon, me impressionou muito, o que continua até hoje, dada a sua fluidez, suavidade da animação e a maneira tão livre como o conduz. Aliás, cada trabalho dela tem um perfil distinto, uma abordagem técnica e de direção levemente diferente das dos outros, mas mantém o seu toque distinto. Dora, que como diversos destes grandes animadores também é artista plástica, tem quadros belíssimos como o da imagem acima, na mesma linha de sua obra em animação. Abaixo, compartilho com os amigos uma playlist publicada no Youtube que contém oito trabalhos da húngara. :)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Referência: "The Subway", de Pierre Hébert


Filme incrível do veterano cineasta de animação canadense Pierre Hébert. Fiquei impressionado com este trabalho desde a primeira vez que o vi, pois lida exatamente com uma das coisas que mais tem me fascinado, que é animar sobre elementos reais. No caso, ele começa transformando em desenhos algumas fotos tiradas no metrô canadense, na década de 80, e partir daí embarca numa viagem visual nas suas impressões sobre o lugar, tudo embalado por um jazz solto e livre como as imagens criadas. O filme é bastante intenso, nos seus quase 15 minutos de duração, mostrando a força das imagens animadas - no caso, na técnica do direto na película - e a unidade que Pierre Hébert conseguiu manter em todo o filme, consagrando mais uma vez uma produção do National Film Board of Canada.


                       

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Vinheta - Festival UFC de Cultura 2013


Vinheta que realizei para o Festival UFC de Cultura 2013. A proposta foi trabalhar texturas, cores e o personagem feito para este ano, mostrando um pouco da diversidade de atrações trazidas pelo festival. As texturas e os títulos foram realizados separadamente e compostos na edição. A animação dos títulos entrando e saindo foi uma das coisas mais divertidas de fazer, e é uma das coisas que mais gosto de animar, pois cada letra e palavra pede um movimento e tempo diferente, que faz toda a diferença no todo. Abaixo, alguns estudos iniciais que fiz para a vinheta, juntos com algumas das pinturas de fundo, e mais ao final, uma amostra quadro a quadro da animação feita para o plano das atrações.

A música me foi entregue pronta, e é da autoria de Gabriel Yang.






domingo, 28 de abril de 2013

Trucas e técnicas de animação - dicas de Caroline Leaf



Convido os amigos que se interessarem em técnicas de animação realizadas na truca a visitar o site da grande animadora Caroline Leaf, na seção em que ela mostra diversos setups que podem ajudar / inspirar / motivar ou mesmo dar bases para quem quer montar sua própria estrutura.



Caroline é um dos maiores nomes da animação mundial, uma referência absoluta para quem quer conhecer mais a fundo técnica de animação sob a câmera. As técnicas de maestria dela são tinta sobre vidro, areia e animação direto na película. Breve farei uma postagem sobre ela mais a fundo. E agora em maio, espero conhecê-la pessoalmente no Chile, durante o festival Chilemonos. Vamos em frente!

[As imagens foram retiradas do próprio site da autora, para ilustrar :) ]

domingo, 31 de março de 2013

Referência - Laurent Coderre


Dando uma olhada como sempre no excelente livro The Animation Book, encontro uma menção a Laurent Coderre, que ainda não conhecia. Ele, como vários outros gênios da animação mais livre, trabalhava no National Film Board of Canada, e tem produções incríveis, animando diversos materiais. O livro mostra a imagem acima e fala sobre ele no trecho sobre animar diversos materias sob a câmera, e a legenda da imagem era exatamente essa:

"O canadense Laurent Coderre é mostrado trabalhando com pequenas lascas de madeira no seu filme Zikkaron. Veja a simplicidade da estrutura: uma câmera fixa presa acima de uma folha preta fosca."

Me identifico demais com filmes animados tradicionalmente sobre trucas com diversos materiais sobre fundo preto. Pode parecer algo ultra-específico e raro, mas acredite, se você ainda não viu muitos assim, existem demais, é quase uma escola, ou uma linha de trabalho. Apesar de na maioria das vezes eu detestar rótulos e categorias, esta seria uma que eu faria parte com prazer. Mas, enfim, voltando ao Laurent; fiquei muito curioso sobre este seu filme e - nada como os dias de hoje! - ele está disponível para assistir no site do NFB. Assista e veja o que acha:





Incrível não é? Não sei o que é mais impressionante: a fantástica maneira como consegue contar tanto de maneira tão livre e sem as amarras de sempre dos roteiros de sempre, ou impecável animação (tudo flui de forma maravilhosamente linda, extremamente precisa e nada sai do lugar por acaso) ou como ele conseguiu fazer tudo isso junto, há mais de quarenta anos atrás. Quanto mais animo hoje - com câmeras digitais, programas avançadíssimos de captura frame a frame, softwares de correção de cor e edicão, o escambau - mais vejo o quanto esses caras são heróis. Sem as referências deles mesmos pra seguir (ao contrário de nós), com todas as limitações técnicas da época em todos aspectos, apenas seguiam cegamente seus instintos em frente e criavam essas pérolas. O convido a se deleitar comigo em mais algumas obras fantásticas de Mr. Coderre. Em frente! :D











sexta-feira, 29 de março de 2013

Rotoscopia - algumas referências

Nas minhas pesquisas sobre rotoscopia, encontrei algumas pequenas pérolas contemporâneas que utilizam a animação sobre imagens reais muito bem. Segue abaixo umas destas, entre mistura de coisas que encontrei e indicações de amigos e colegas.

12 minutes of love: animação em rotoscopia do jeito que eu gosto - você não sabe onde termina a parte filmada e começa a animação. Fusões, pinturas e edição de primeiríssimo nível.



The ten basic rules of film noir: Ah, se toda vinheta de TV fosse como esta...



PAS BEAU: Uso muito criativo - até cômico - da animação sobre imagens de um filme (no caso, nosferatu, filme hoje de uso livre)



The Nest - Trailer: Imagens animadas incríveis para este filme que é parte animação e parte ação ao vivo. Forte, arrebatador e tecnicamente excelente.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oficina de Animação - Exercício de rotoscopia

Exercício de rotoscopia realizado na oficina de cinema de animação do projeto Educando o Olhar. Postagem completa sobre a oficina, com o filme final feito pelos alunos e bastidores neste link.

O mais interessante é que estes exercícios foram feitos para melhor entendimento da técnica pelo alunos e foi isso. Apareceram brevemente no vídeo de bastidores, mas após fazermos o filme final dos alunos com o material feito "pra valer", estes exercícios acabaram meio que "esquecidos"... até que resolvi pega-los e montar esse videozinho. Eram só os planos de cada um, um atrás do outro. Tá bom, pensei, vou colocar umas cartelas. Hummm, talvez seja melhor colocar os créditos também, e o fiz. Ah, por que não colocar uma trilha simples (que eu tinha feito originalmente pra outro projeto, mas que tinha mudado e também ficou esquecida) pra ficar mais bacana, pensei, pra fechar? E aí está.

domingo, 25 de novembro de 2012

Punto y Raya Festival 2012

Dias 10 e 11 de novembro aconteceu o festival Punto y Raya Junior 2012 em Barcelona, Espanha. O Punto Y Raya, como falei em outra postagem, é um festival super interessante onde filmes visualmente livres são exibidos - como diz o título, com "linhas e pontos". Este ano o foco foram filmes feitos por crianças - daí o Junior - mas houveram várias sessões especiais. Tive o prazer de ser convidado a participar com o Linhas e Espirais numa das sessões - especificamente uma das sessões "Visual Music". E tão legal quanto ter seu filme convidado foi ver este trailer bacana produzido por eles, com trechos dos filmes. Ver o seu trabalho ao lado de gente tão talentosa do mundo inteiro é mais um destes sinais de que estamos no caminho certo.



E já que a edição deste ano já foi, vejamos alguns dos trabalhos incríveis que foram exibidos:









domingo, 14 de outubro de 2012

Linhas e Espirais no Punto Y Raya Festival - Barcelona



E qual não foi a minha surpresa ao receber uma mensagem do Punto Y Raya Festival - um grande festival de cinema de animação experimental da Espanha -  enviada pelo Vimeo convidando o Linhas e Espirais para participar da edição deste ano! Este é um festival super bacana - Punto Y Raya - "Ponto e Linha"! - que de fato como nome diz, só exibe filme que lidem com estes elementos, e é incrível ver qua a cada ano dezenas de trabalhos são exibidos. Um pouco de como foi a edição do ano passado:





Como vários outros festivais que tomo conhecimento porém, eu sempre perdia as datas de inscrição. O Linhas tem de fato tudo a ver com a proposta deles. A curadoria já tinha visto no Vimeo, e também deixado um simpático elogio lá, além de compartilhado na página deles no facebook, e agora veio o convite para participar da mostra desse ano, numa sessão de convidados, não-competitiva e mas dentro da proposta do festival. Noel, a simpática coordenadora e curadora do festival, entrou em contato pessoalmente, e fez o convite. Esse tipo de coisa - você fazer contato direto com o diretor (ou diretora) de um festival, que é a alma do mesmo, acho algo sem preço. Essa proximidade, esse contato direto com os realizadores faz a coisa toda ficar muito mais agradável e ser o que é, no fim das contas: um encontro de pessoas fazendo o que gostam, para outras pessoas que também se empolgam vendo e algumas vezes até para fazer também. Ainda por cima pediram minhas informações para criar o meu perfil no site do festival - a imagem abaixo - ao lado de realizadores experimentais de toda parte! Isso é muito bacana, e nunca vi um festival com compilações de perfis assim desta forma. Já falei pra Noel que não perderei as inscrições de 2013 e ainda farei de tudo para ir pessoalmente ao festival. Vamos ver o que o vento traz daqui pra lá. Em frente :)

O perfil pode ser visto no original no site do festival :) http://www.puntoyrayafestival.com/autores_eng.php?letra=A&autorID=213

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Referência - Chris Casady



E quando achamos que já vimos de tudo - ou pelo menos um bom bocado de coisas, eis que sempre podemos nos surpreender um bocado mais. Acho que nunca tinha ouvido falar sobre o Chris Casady, e ao mesmo tempo o nome parece familiar... seja como for, ainda não tinha visto impressionantíssimo (existe isso?) trabalho, de 1989. Fiquei de boca aberta do começo ao fim, realmente é algo que alguém se esmerou e muito pra fazer. Timing perfeito, fluidez inacreditável e uma energia que não vejo muito por aí. Ainda não sei nada sobre Chris (ou melhor, quase nada; nunca rápida busca no google vi que trabalha com efeitos visuais, não é pra menos..), e me divirto tentando visualizar as artimanhas animadas que ele fez neste trabalho (nos comentários deste vídeo no youtube o próprio Chris comenta alguns dos processos) - mas seja como for, é um deleite, que agora compartilho, e já vai direto pras referências.
E um detalhezinho no final mostra algo quase óbvio: nos créditos vemos que ele fez dedicado a Elfriede Fischinger - esposa de Oskar Fischinger, um dos pilares da animação experimental mundial. Percebemos claramente a influência, e ao mesmo tempo Chris dá o seu toque especial à mistura. Literalmente, massa. :D

sábado, 1 de setembro de 2012

As últimas de Jeff Scher


E eis que estou "de bobeira" no Vimeo quando me deparo com a conta do Jeff Scher. Ora, não sabia que o homem tem uma conta lá!

Jeff é uma das minhas principais referências, e é um dos caras em atividade hoje na animação experimental mundial que mais admiro. Quem se interessar, aqui no blog tem um marcador com o nome dele, que tem todas as postagens que fiz a seu respeito. Vamos ver agora algumas pequenas pérolas que separei dos seus vídeos lá.

Este primeiro foi feito em grande parte com a minha querida técnica da pintura-no-tempo, mas com o toque da aquarela mágica do Jeff se transforma em algo que só ele poderia fazer.

Matchstick from jeff scher on Vimeo.

Este segundo, assim como o primeiro, é um videoclipe, e é sempre bacana ver como ele cria de forma tão livre em cima das músicas. Técnicas das mais variadas, e constante e notório esse toque pessoal e artesanal que ele sempre imprime.

blood keys from jeff scher on Vimeo.

Segue com esta super ousada vinheta para TV para um Festival de Cinema. No dia que fizermos vinhetas assim pra TV por aqui e tivermos 100% de sinal verde de quem encomendou (como deveria ser sempre), é por que algo mudou... Acho que isso é realmente dar a visão do artista ao trabalho, isto é, confiar a ele para deixa-lo fazer da maneira que quiser. Afinal de contas - sempre penso eu - se nos chamam para fazer um trabalho, deveriam confiar na maneira como o conduzimos. Senão, para quê nos chamar?
Detalhe para a maneira como as cartelas dos patrocinadores foram dispostas, além da duração das mesmas. É Jeff, tem que me ensinar essas manhas aí cara! :P

50th ANN ARBOR FILM FESTIVAL TV spot; 30 from jeff scher on Vimeo.

E legal também que a inquietação artística dele não fica só na animação... gosto muito dos seus experimentos em vídeo ao vivo (ou live-action), que embora não sejam feitos frame a frame, como a definição de animação diz, são marcados pela manipulação intensa das imagens, criatividade na montagem e grande poder visual do resultado final - características típicas dos grandes filmes animados.

Summer Sketches from jeff scher on Vimeo.

Palm Reading from jeff scher on Vimeo.

Para quem se interessar então, na página do Jeff no Vimeo tem mais alguns vídeos, e vale a pena ver o texto da descrição de cada um, em que ele conta um pouco da ideia e processos por trás de cada trabalho. Em frente Jeff! :D


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Menção na Filme Cultura!


Tive o prazer de ter sido mencionado na revista Filme Cultura na edição sobre Vanguarda e Inovação, editada e lançada ano passado. Por diversas razões (o clássico "depois eu posto"), acabei demorando para colocar aqui no blog à respeito, mas agora está feito :)
A matéria, que ficou muuuito bacana, sobre o cinema de animação experimental, foi escrita por Marcos Magalhães, que além de animador, diretor do Anima Mundi e pesquisador da área, considero como um dos principais pilares da história do cinema de animação brasileiro. Quando encontrei com Marcos após a publicação da matéria (belamente escrita por sinal), o parabenizei pelo texto e o agradeci pela citação, o que ele respondeu. "Bom, eles me pediram nomes; então, eu citei nomes!". Ter sido citado numa matéria escrita por ele (e ao lado de grandes talentos da animação brasileira e internacional de ontem e de hoje que foram mencionados) é uma honra enorme. Nos ver como parte de um contexto, de um cenário, de uma geração de artistas, saber que nosso trabalho faz parte de algo maior, é no fim uma das coisas mais bacanas, acredito eu, que podem nos acontecer, ou melhor ainda, que podemos nos dar conta. É uma daquelas coisas que só confirmam pra gente que estamos no caminho certo. 
Uma das coisas mais legais da Filme Cultura é que todas as suas edições podem ser baixadas gratuitamente no site da revista. Na imagens abaixo, baixei a edição e tranformei as páginas da matéria que saí em imagens, para postar aqui no blog. Para quem se interessar, aqui tem o link pra baixar a edição integral em formato PDF.
Não vou adiantar mais detalhes da matéria para quem quiser lê-la na íntegra, mas quero deixar claro o quanto gostei particularmente do final, onde Marcos delicadamente - embora sem perder a força - dá uma bom puxão de orelha naqueles que acham que o "mercado" de séries de animação e longas é o melhor caminho hoje para o cinema de animação brasileiro. Numa próxima postagem falo um pouco mais sobre essa que é uma inquietação minha também. Vamos em frente ;)





domingo, 19 de agosto de 2012

Saudade

Saudade from Diego Akel on Vimeo.

O curta Saudade foi o resultado da disciplina de Cinema de Animação, que ministrei na última edição do Projeto Educando o Olhar, um curso completo de audiovisual ministrado em escolas da rede pública de Fortaleza. A partir de uma visão da animação como algo mais livre, utilizei a técnica da rotoscopia, em que imagens reais filmadas são transformadas em frames separados e manipulados um a um. O material então é refotografado e vemos o movimento real, adicionado da manipulação manual. Foi um trabalho muito gratificante de fazer, e o resultado foi além das nossas expectativas. Novamente, Sabina Colares - a coordenadora e idealizadora do projeto - produziu, juntamente com Carolinne Vieira e comigo, e tive a assistência valorosa de Josimário Façanha, tanto durante as aulas como na finalização do material.

No vídeo dos bastidores, belamente produzido pela Comunik Filmes, podemos ter uma noção do processo:



As aulas foram muito divertidas, os alunos se empolgaram muito assistindo aos trabalhos de Norman McLaren, Oskar Fischinger e outros mestres da animação experimental. Assistimos ainda diversos trabalhos envolvendo a técnica da rotoscopia e da manipulação de imagens reais em animação. Reconheço que as oficinas que ministro sempre refletem um pouco as minhas inquiatações de cada momento. Quando a Sabina me perguntou sobre a possibilidade de trabalhar esta técnica com os alunos eu me empolguei um bocado, pois realizar um filme assim era - aliás, ainda é - uma das minhas maiores vontades. Poder compartilhar com os alunos essa possibilidade, dividir com eles a feitura de um filme assim seria muito bacana.

Quando assistiamos à referências, durante as aulas, sempre que acabava um filme que eles gostavam (e gostaram de todos), eu provocava perguntando "Qual a história deste filme? Quais os personagens? Sobre o que ele fala?". A impossibilidade de responder estas questões mostra que os trabalhos sem narrativa definida e personagens podem sim, ao contrário do que muitos imaginam, ser interessantes, ricos e empolgantes. Além do mais, era o primeiro contato de jovens (que tinham entre 16 e 18 anos) com um cinema mais abstrato, e não precisaram intelectualizar exageradamente o processo de entedimento - coisa necessária para muita gente que conheço, por sinal. O legal é exatamente ver como eles se identificam e podem usar estes trabalhos como ponto de partida para construir as suas próprias ideias.

Para realizar o filme, como foi mostrado nos bastidores, basicamente, cada aluno gravou cinco segundos em vídeo de algo que, para ele, remetesse à saudade. Alguns formaram grupos, mas todos escolheram o que filmar. Não havia roteiro. Alguns filmaram sem imaginar o que fazer depois, outros já tinham uma ideia precisa de como iriam interferir nas imagens. Após a filmagem, separamos os vídeos de cada aluno. Uma vez decompostos em frames (12 por segundo) e impressos (cabiam seis por página A4), cada aluno recebia os seus cinco segundos - no caso, sessenta frames - e utilizaram canetas hidrográficas, lápis de cor, giz de cera e sobretudo giz pastel para interferir nas cenas. O mais legal de usar o giz pastel é que ele permite que utilizemos cores claras para cobrir massas escuras da imagem original, isolando trechos ou repintando de uma forma bem particular, que associado ao movimento real da imagem dá esse "estranhamento" que é próprio de filmes em rotoscopia. Fizemos um teste onde pegamos uma cena de um aluno (um salto de uma escada) para que todos animassem. Isto tanto foi ótimo para que entendessem o princípio como para acompanharem o processo de captura - montamos uma truca na sala de aula e fotografamos este teste ao vivo, conforme terminavam. Após isso, partimos para o plano final, de cada um.

Para fotografar, tivemos a ideia de preencher o espaço além dos frames com desenhos e textos dos alunos, além dos materiais usados na animação. Nesta etapa fotografamos na truca do NUCA, eu e Josimário animando minimamente a chegada / saída de cada plano e outros pequenos detalhes, cuidando para que o nosso trabalho não se sobrepusesse à animação dos alunos. Após esta parte e o tratamento das imagens, partimos para a edição. Convidamos os editores Gracielly Dias e Vinícius Alves para montar tudo, no que fizeram um trabalho genial. Na trilha, o músico Ednilson Gomes Júnior deu o toque preciso para fecharmos este pequeno trabalho de forma tão delicada.



Semana passada ocorreu o lançamento formaal do filme aqui em Fortaleza, junto com os outros dois trabalhos de conclusão de curso dos alunos do projeto. Foi muito bacana e emocionante estar ali presente. Depois, conversando com alguns dos outros professores do curso, percebi que na verdade nós é que aprendemos com os alunos - aprendemos a sermos livres de novo. Pois, conforme vamos nos desenvolvendo mais, conhecendo mais e produzindo, vamos de certa forma abandonando aquele espírito livre do comecinho, de quando "nada" sabíamos mas tínhamos toda a coragem e disposição do mundo. Aquela "ingenuidade boa", como sempre digo, de quem se empolga com tudo e que vibra a cada nova descoberta. Tudo é novo e incrível, e esse é exatamente o espírito dele, ainda mais vendo o filme concretizado. Gerações anteriores que passaram pela escola se emocionaram na exibição, assim como familiares dos alunos. Umas das coisas mais bacanas que ouvimos é como este trabalho retrata este espírito adolescente, essa fase deles que, ainda que mude, ficou como registro para sempre no filme.

O trabalho já tem circulado por diversos festivais, entre eles a Mostra do Filme Livre e o Anima Mundi 2012. Estará agora em outubro no MUMIA, em Minas. De toda forma o filme está disponível na internet para qualquer pessoa assistir e inclusive baixar, se gostar. Vamos em frente :)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Maria da Glória: finalizado, agora pra valer :D


Após uma pausa de cerca de dois anos depois de finalizar a parte principal da animação, finalmente concluo a versão final de mais este trabalho. Ao contrário da versão parcial, que está no filme "Se Essa Rua Fosse Minha", esta tem várias diferenças. Foram adicionados planos extras, fiz diversos ajustes nos cortes e os créditos finais estão adicionados. Agora o filme ganha finalmente o mundo, nos festivais, mostras e sobretudo na internet - o trabalho é licenciado em Creative Commons, então é livre para qualquer pessoa assistir online, baixar e mesmo copiar à vontade, dentro dos critérios da licença acima. Pretendo fazer muitos trabalhos em Creative Commons - os próximos já estão a caminho. Para quem gostar do "Maria da Glória", recomendo inclusive baixar a versão original em HD, na página do filme no Vimeo (logo abaixo do vídeo, na aba "download"), para assistir em qualidade superior à versão em stream. E vamos em frente. ;)



Maria da Glória from Diego Akel on Vimeo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

MUMIA 10 - Vinheta: Call for Entries 2012



Vinheta recém-finalizada para a décima edição do MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação. Fui convidado pelo criador e diretor do MUMIA, Sávio Leite, para criar a identidade visual do evento deste ano, e propus fazermos também algumas vinhetas. A primeira então é esta, a chamada para inscrições internacional. Foi um trabalho sensacional de fazer. Livre, solto, espontâneo, incorporando literalmente tudo o que aparecesse no caminho - de objetos a ideias, imprevistos e até - e principalmente - o que se poderia considerar como erros. O resultado me agradou muito, e só reforça aquilo que eu já acreditava: que temos que fazer aquilo que gostamos, da maneira que queremos e não ter medo de nada. Ser sincero no que fazemos, fazer de coração. Incorporar tudo, de todo lugar.

Essenciais para este trabalho - sem os quais ele jamais teria ficado como ficou, se é que teria existido - foram as contribuições de Josimário Façanha - mais do que um assistente, uma mão amiga que está atenta a tudo e traz excelentes ideias a qualquer projeto que seja - e de Denis Akel, meu querido irmão que na sua calma literária deu o pontapé inicial para que eu pudesse criar o som. E ainda, claro, agradecimentos especiais também ao Núcleo de Cinema de Animação Casa Amarela Eusélio Oliveira, que cedeu o espaço para que pudéssemos, mais uma vez, enlouquecer animando todos estes objetos por dias. A estrutura incrível da Sala da Truca foi determinante.

Breve posto mais sobre os bastidores deste trabalho super divertido de realizar. Vamos em frente! :)


terça-feira, 3 de abril de 2012

Referência: Juan Delcan


Este genial trabalho, La Verdad, me foi apresentado pelo amigo Ives Albuquerque. Não conheço muito sobre o Juan Delcan ainda mas já se tornou uma referência, principalmente em como realizar um trabalho de encomenda de forma tão autoral, pois esse foi feito a pedido de uma rede de televisão chilena.




Na verdade, penso que justamente por ele ser autoral é que foi encomendado. Não devemos fazer algo para "atender" um mercado (detesto essa expressão), mas sim fazer da maneira que desejamos, e logo isso se tornará "o" referencial pelo qual alguém procura um artista em específico - ou melhor, "o" artista. Vamos em frente :)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Estudo animado: linhas dançantes


Estudo feito para testar movimento contrário das linhas; em direções diferentes, o movimento se acentua, se acelera e fica mais dinâmico e fluido até. Vamos lá.